Itaperuna enfrenta crise extrema após terceiro temporal em uma semana
Desabamento de imóvel no Morro do Querosene e transbordo do Valão da Cehab marcam madrugada de destruição; prefeito Nel Medeiros reforça apelo para evacuação imediata de áreas de risco.
O município de Itaperuna vive um dos momentos mais críticos de sua história recente. Na madrugada desta sexta-feira (06), a cidade foi atingida pela terceira tempestade severa em apenas sete dias. Pouco mais de uma hora de precipitação intensa foi suficiente para registrar um acumulado de quase 100 mm, volume que transformou ruas em rios e espalhou destruição por bairros das partes baixa e alta da cidade.
A força das águas provocou o transbordamento do Valão da Cehab, paralisando vias cruciais como as ruas Benedito Nicolau e Francisco Freitas. O Rio Muriaé, que apresentava tendência de baixa, reagiu imediatamente ao volume das chuvas locais e das cabeceiras, retornando ao protocolo de cota de alerta ao atingir a marca de 3,84 metros às 15h15.
Desabamento no Morro do Querosene
O cenário de crise atingiu seu ápice com o desabamento de um imóvel na Rua Sebastião José Neves, no Morro do Querosene. A residência, situada abaixo da área da antiga pedreira, não resistiu à instabilidade do solo encharcado e ruiu completamente.
Viaturas do Corpo de Bombeiros e equipes da Defesa Civil foram acionadas para isolar a área e avaliar o risco de novas quedas em edificações vizinhas. Felizmente, não houve registro de vítimas fatais ou feridos nesta ocorrência, apenas perdas materiais totais para os moradores da residência atingida.
Bairros com Maiores Danos Registrados:
Região Central e Baixa: Centro, Matadouro e Boa Fortuna.
Zonas de Transbordo: Aeroporto, Niterói e Cidade Nova.
Áreas de Encosta e Valões: São Manoel, Bom Pastor, Vinhosa, Colibri e CEHAB.
Ações do Executivo e Assistência às Famílias
O prefeito Nel Medeiros percorreu os pontos mais críticos desde o início da manhã, incluindo o local do desabamento e a parte alta do bairro Vinhosa. Em tom de urgência, o prefeito destacou a necessidade vital de evacuação preventiva:
“Vi perdas, transtornos e situações que exigem decisões firmes para proteger vidas. Já orientamos moradores que estão em áreas de risco a deixarem o local imediatamente. Essa é uma medida difícil, mas necessária diante da previsão de mais chuvas”, afirmou o prefeito.
As famílias que tiveram seus imóveis condenados pela Defesa Civil já estão sendo assistidas e encaminhadas para os abrigos municipais ou para o programa de aluguel social. O Colégio São José permanece como o ponto central de acolhimento.
Vigília Total e Risco de Deslizamentos
Com o solo saturado por mais de 300 mm de chuva acumulados nos últimos dias, o risco de novos deslizamentos é classificado como altíssimo, mesmo que as próximas pancadas de chuva sejam de menor intensidade. A Defesa Civil, sob o comando de Daniel Bernardo, permanece em prontidão 24 horas.
As autoridades reforçam: ao notar qualquer sinal de instabilidade no terreno, como estalos, rachaduras novas em paredes ou inclinação de árvores, a população deve abandonar o local e acionar o telefone 199.
Da redação da 96,9 FM